sexta-feira, abril 04, 2025

A ALERGIA DA HELENA

 

Às seis da manhã, soou o despertador.

NGUI, NGUI, NGUI, NGUI...

Soava estranho demais, mas era a única forma de a Helena acordar, porque tinha um sonho muito profundo que apenas aquele som conseguia interromper.

— Filha, estás acordada?

Era a voz da Alcione, a mãe, que soava do outro extremo da casa. A Helena olhou para o João, o irmão, que dormia todo tranquilo. Nem o som daquele despertador infernal o tirava do sonho. Ele tinha a sorte de ter aulas de tarde, enquanto a Helena as tinha de manhã, portanto ela era a que sofria a desgraça de acordar cinco dias por semana tão cedo.

A menina foi tomar o pequeno-almoço e depois tocou o asseio.

— Lava-te bem, hein? —lembrou a mãe —. Tens que cheirar bem antes de entrares na sala de aula.

— Muitos dos meus companheiros fedem, mamã. O Carimbolo cada dia cheira diferente.

— Como assim?

— Sei lá como é que ele faz. Um dia cheira a gato morto, outro a sardinhas em lata, outro a lixeiro, outro a...

— Chega — interrompeu a mãe —, não me interessa como é que cheira o Carambelo...

Carimbolo — corrigiu a menina.

— Como for. Vai à casa de banho e prepara-te.

Depois de se pentear bem, a Helena quis ver-se bem no espelho. Estava ótima. Ficou a olhar o seu reflexo durante muitos minutos, gostava de se ver.

— Vens já? — soou a mãe ao longe.

A menina interrompeu a sua atividade e correu para a porta da casa. A mãe ia levá-la à escola.

Até seis horas depois, quando a Helena voltou da escola, mas não parecia a mesma menina que tinha saído da casa de manhã. Coçava os braços com total desespero e, por cima, tinha uns ranhos que pareciam cascatas.

— Filha! O que é que te aconteceu?

Mas a Helena nem tinha tempo de responder, correu para a casa de banho e voltou com um rolo de papel higiénico para limpar os mocos, que caíam sem parar. Os dois braços, aliás, estavam completamente vermelhos por causa das unhas da menina a coçar sem parar.

— Suspeito que isto seja alergia — disse a Alcione, quem, sem hesitar, levou a garota para o médico.

Foram diretas para o hospital, até entraram pelas emergências. Felizmente, havia uma alergóloga disponível.

Assim que a doutora viu a criança, disse para a mãe:

— Coloque-a na padiola.

A doutora nem fez perguntas no início. Observou os sintomas, que eram as cachoeiras que saíam do nariz da Helena e a coça desesperada da menina nos seus próprios braços.

Depois, a doutora pegou no seu carnê e começou o interrogatório, que sabia fazer tão bem como um agente da polícia para um suspeito.

— Têm animal de estimação em casa? 

— Temos.

— Um gato, um cão, um porquinho-da-índia, um coelho, qualquer um com pelo?

— Não, é uma iguana — disse a mãe.

— Que se chama Margarida — acrescentou a Helena sem parar de lhe sair muco pela cascata.

— Então, que plantas há ao redor da vossa casa?

Foram enumerando as variantes que conheciam, que não eram todas, enquanto a doutora tomava notas.

— A menina tem problemas com algum alimento, por exemplo, com o leite, com o pão?

— Não.

— Então, vamos praticar as provas da alergia. Venham à consulta aqui no hospital daqui a uma semana.

A doutora desenhou uma espécie de tabuleiro no braço da Helena, a qual perguntou com surpresa:

— Por acaso, vamos jogar xadrez no meu braço? Ou três em linha?

— Não, fazemos isto para marcar distintos produtos que podem causar alergia... — explicou a doutora.

— E pode ser que tenha alergia da mamã, ou do papá, ou do João?

— Espero que não...

A Helena abraçou a mãe, não queria que ela fosse a causa da sua alergia, isso sim seria uma desgraça, mas então teve uma ideia:

— Ah, doutora, e não pode ser que tenha alergia à escola? Hoje, quando vim dali, foi que me encontrava tão mal...

— Há pessoas que têm alergia ao giz...

— Mas na minha escola usamos marcadores para o quadro — reconheceu a menina desiludida.

A doutora colocou algum medicamento que aliviasse os sintomas. Para o nariz, foi como se colocassem uma barragem, porque as cataratas cessaram. A Alcione, por acaso, também cortou as unhas da menina para evitar que chegasse até ao osso quando se coçava.

Finalmente, depois de uma semana de espera, a Helena e a sua mãe foram ao hospital para receber os resultados das provas de alergia.

— Isto não tenho nunca visto — disse a doutora. — A menina é alérgica... a si própria. 

— Não pode ser... — deixou escapar a Alcione.

A doutora não parava de dar voltas pela sala de consulta. Nem ela, nem nenhum dos seus colegas tinha visto uma coisa parecida. Só podiam explicar que fosse alérgica a alguma secreção do seu próprio corpo.

— E isso tem cura? — perguntou a mãe.

A doutora e a Alcione começaram a dialogar sobre o que a médica tinha pesquisado. Por enquanto, a Helena foi olhar-se num espelho de corpo inteiro que havia na consulta. Via-se bem, apesar das coceiras nos braços. 

— Mamã — disse a menina, — achas que posso ter um vestido azul para o meu aniversário, com bordos dourados?

Mal a mãe desviou a vista para a menina, esta começou a coçar todo o corpo com desespero e novamente uma cachoeira de ranhos acudiu ao seu nariz, como se a barragem tivesse quebrado.

— Mamãezinhaaaaaa!

A Alcione e a doutora interromperam a conversa. A doutora retirou o espelho. Colocou-o de costas para a criança. De repente, entendeu qual era a causa verdadeira da alergia:

— A Helena não tem alergia a si própria — anunciou nervosa. — Tem uma alergia ainda mais rara e esquisita.

— Como assim? — perguntou a Alcione.

— Tem alergia ao seu reflexo!!!!

A doutora quis fazer mais provas. Pegou no seu telemóvel e tirou uma foto da menina.

— Olha para a foto — pediu a doutora.

— Não quero — disse  Helena, a cobrir os olhos com as mãos.

— Olha, faz favor, é muito importante.

— Escuta a doutora, filhota — pediu a Alcione.

Lentamente, a menina retirou as mãos dos olhos e enxergou a foto.

— Estás pior? 

— Não...

— Então já entendi o que se passa. A Helena tem alergia ao seu reflexo em espelho, é dizer, que a sua parte direita seja a esquerda no espelho e ao invés. Mas nas fotos do telemóvel esse efeito pode ser evitado.

— E qual é então a solução, doutora?

— Teremos que pesquisar, mas, por enquanto, só podem fazer uma coisa: se ela se olhar no espelho, tem que ser através doutro espelho, para que os seus lados sempre fiquem no lado correto...

© Frantz Ferentz, 2024


quinta-feira, março 27, 2025

O DÍA DE ANOS DA PRINCESA TABACUNDA. HISTORIAS DE MOCÓN

 

A Princesa Tabacunda ía celebrar o seu décimo quinto aniversario. Sería un evento fundamental en todo o reino, ao cal acudiría toda a nobreza do propio reino de Mocón, cuxo monarca era daquela Falisco MCM — é que desde sempre todos os monarcas daquel reino se tiňan chamado Falisco —  e mais dos reinos en derredor.

No derradeiro día do mes de botón — no reino de Mocón tiňan un calendario de trece meses por ano, todos de vinte e oito días — , sería o grande evento. Xa no mes anterior, o de galón [1], o reino andaba todo feito un rebumbio. A xente do país andaba louca con tanta organización, todos no reino vivían para aquel evento.

O Rei Falisco ollaba para alén da mera festa do día de anos, pensaba en casar a filla con algún príncipe ou nobre estranxeiro, porque o Rei Falisco, coma todos os demais reis na historia de Mocón, pensaba que as fillas só serven para as casar con xente doutros reinos e gaňar poder (e territorios). 

Só era importante fixar o compromiso entre a Princesa Tabacunda e o candidato ficase asinado nun documento, antes de o desgrazado... querse dicer, o futuro esposo da princesa descubrir o segredo da princesa. Que cal era o segredo? Que pensades, logo? Que era unha licántropa? Ou unha reguetoneira? Non, nada diso, era outra cousa, mais xa vola contarei despois.

E á fin chegou o día. A capital de Mocón, Moconela, estaba de gala. Pola entrada principal ían chegando carruaxes con bandeiras e pendóns. Que nervos por todas as rúas, mais os comerciantes estaban ben ledos, porque tanta xente de fóra ía pagar moito diňeiro pola mercadoría do aniversario da princesa. Había bonecas da princesa con moitos traxes diferentes, camisolas coa cara dela e até unicornios de tea de cor de rosa, que non se entendían moito ben o que representaban, mais alí estaban.

No salón do trono reuníronse por volta de cento e cincuenta persoas da nobreza. Todos vestían roupas luxosas. Todos agardaban pola chegada da princesa Tabacunda ao salón do trono.

Mais xa con moita antelación, o Rei Falisco estivera a negociar a man da súa filla, como calquera mercadeiro que negocia a venda da súa colleita de repolos. De facto, organizara unha poxa ou leilón con varios nobres e reis para ver quen oferecía máis por casar coa princesa, a cal non sabía nada diso, a coitada.

Chegou en fin a hora de iniciar a festa. Xa había un candidato a casar coa princesa, tratábase do Marqués do Pergamiňo, de pel toda enrugada para facer honra ao seu título. Mais o marqués non ía asinar o compromiso co rei até non ver a princesa. «Non se pode facer negocios sen antes ver a mercadoría», era o que seu pai lle dicía sempre.

De súpeto, a orquestra comezou a tocar. Anunciaban a chegada da Princesa Tabacunda. Todos retiráronse para abrir un portal por que a princesa chegase ao centro da sala. Todos os presentes comezaron a aplaudir. A princesa avanzou arrastrando as súas saias polo chan para o centro do salón, onde o seu pai, o rei, agardaba por ela cun sorriso enorme, mais non polo aniversario, mais polo bo negocio que terminaba de facer co Marqués do Pergamiňo.

Todo estaba a saír redondo, todo. Até que aconteceu algo inesperado. O Duque da Tolondria, un fumador inesperado, rematou o seu cigarro — daquela aínda non era prohibido fumar en público — e botou a cabicha ao chan, porque, ademais, era un porco. E a cabicha, aínda prendida, queimou as saias do vestido da princesa.

Rapidamente baleiraron todos os vasos de flores que había na sala para matar o lume. Só ficaron as baleas da estrutura das saias. E aí veu o problema. Todos descubriron o segredo da princesa... Non, xa vos dixen que nen era licántropa nen, aínda peor, reguetoneira. Non. O seu segredo era... que era coxa!

Efectivamente, unha das súas pernas era ortopédica. Levaba unha pata de pau coma os dos piratas. Do xeonllo para baixo xa non tiňa perna.

Na festa estaba a Conde da Pataqueira, que, ademais de nobre era pirtata, isto é, era un nobre pirata ou un pirata nobre, non sei moi ben en que orde. Así que viu aquela pata de pau, apaixonouse pola princesa e quixo raptala e levala para o seu barco pirata, mais non tivo vagar.

No medio da sorpresa o do “oooooooooooohhhhhh” que se prolongou medio minuto, apareceu na sala alguén que non estaba convidado. Non era un nobre e nen sequera un pirata. Tratábase dun tipo que chegou a dar pulos e tamén coxo, coma a princesa. Faltáballe unha perna, mais non levaba unha pata de pau, porén unha prótese de titanio, en forma de S que se encaixaba por baixo do xeonllo.

Achegouse á princesa sen ninguén llo impedir — estaban todos aínda en choque —, tomoulle a man e díxolle:

— Princesa, sou Colaxenio, campión de atletismo paralímpico. Saíches algunha vez do palacio?

— Nunca — respondeu ela toda triste.

— Entón, ven comigo, e comeza a correr maratonas.

Colaxenio quitou unha prótese semellante á del, retirou a pata de pau que aventou para atrás con tan má sorte que acertou no ollo do Conde da Pataqueira, quen, a partir daquel momento xa si se viu como un pirata completo porque tivo que usar un tapaollo, e colocou a prótese de titanio na perna coxa da princesa.

A princesa sorriu como nunca sorrira na súa vida. Desfíxose da estrutura de baleas e, tomada da man do Colaxenio, saíu ás carreiras da corte real, sentíndose máis libre ca nunca, veloz, feliz, tenaz e audaz.

© Frantz Ferentz, 2025

[1] Os meses do ano en Mocón son nesta orde: tapón, colocón, subidón, galón, botón, mandón, aguillón, berrón, tomatón, parangón, sufocón, bolsón e on (para este derradeiro só deixaron a terminación porque non lles ocorrían máis nomes).

sábado, fevereiro 15, 2025

A CARROZA MÁXICA



― Papá, quero montar na carroza da princesa ― dixo Agnes ao seu pai en canto pasaban por diante dunha carroza de feira a moedas, no vestíbulo do aeroporto.

Ao pai, que estaba concentrado na súa conversa polo telemóbil, non lle interesaba nada o que lle dicía súa filla, mas é verdade que a miúda foi moi insistente, e até lle turrou das calzas para baixo, que case que o deixa cos calzóns á vista.

― Papá, papá!! ― berraba a Agnes, tanto que toda a xente ao seu redor reparaba na nena e o seu pai.

O pai, embora tentase concentrarse na súa importante conversa de negocios, non puido evitar a vergoňa de ver ducias de ollos espetados nel e na súa filla. Desculpouse, portanto, da conversa e meteu a man no bolso. Remexeu e atopou unhas cantas moedas. Entregounas á filla que as tomou ansiosamente. 

O home sentou nun banco perto da carroza a moedas, e parou de se ocupar coa filla, quen rapidamente meteu unha moeda na raňura e a seguir montou na carroza.

Encanto iso, Agnes sentiu un BUIIIIMP e a carroza apareceu nun reino remoto, onde xa non era unha carroza de moedas, mas unha real, empurrada por catro cabalos brancos. Debruzouse e viu que estaba a correr por unha avenida toda chea de soldados vestidos de gala, a par doutros que facían soar tambores e cornetas de corno de touro. Ademais, ela ía vestida de princesa, toda en rosa, até os zapatos e a coroa. Ela odiaba o rosa.

De repente, a carroza detívose. Deceu coa axuda de dous paxes. Ambos acompaňaron a miúda até a presenza dos reis. Ao seu lado estaba o príncipe herdeiro, que tiňa unha barbiňa rala e até parecía que aínda comía os mucos.

― Benvinda, princesa Agnes ― saudou o rei.

― Benvinda ―dixo a raiňa.

― Hmm ―muxiu o príncipe.

Convidárona a entrar e ofrecéronlle unha cunca de café con bolachas de chocolate. A seguir, a raiňa perguntou:

― Como futura raiňa, heiche perguntar se sabes cociňar, lavar, fregar, educar os fillos...

― Queeeee? ―espaventouse toda a Agnes.

― Xa ouviches.

― E ese inútil de fillo que tendes, sabe polo menos sorber os mucos? Eu souvos unha muller do século XXI. 

― Eeeeh ―dixo o príncipe herdeiro.

E sen mais, a Agnes ergueuse e saíu do palacio deixando os monarcas de boca aberta, incapaces de reaxiren. Montou na carroza e berrou para quen for:

― Lévame con meu pai!

Voltou a soar un BUIIIIIMP. E logo a Agnes estaba de volta na carroza a moedas do aeroporto. Saiu, coas súas roupas normais e achegouse do pai, que continuaba a falar polo telemóbil, alleo a todo canto había en derredor.

― Bla, bla, bla, bla, bla...

― Papá, non sabes que?

― Bla, bla, bla, bla...

― Dásme mais moedas? ―pediu ao pai.

― Bla, bla, bla, bla...

Contodo, o pai meteu a man no bolso mecanicamente e tomou unhas moedas, mais do que antes. Deullas.

― Obrigada ―agradeceu a nena.

E axiňa voltou onde a carroza. Montou nela e inmediatamente soou o BUIIIIIMP das outras veces. Entón viuse vestida outra vez de princesa, desta vez polo menos o vestido era azul celeste. Mas non estaba soa na carroza. Xunto con ela había catro princesas mais, que non paraban de enxergala. 

― De onde saíches tu? ―perguntoulle unha princesa de vermello.

― Tu es unha plebea ―espetoulle outra princesa de verde.

Xa non houbo mais vagar. A carroza detívose e a porta abriu. Uns brazos fixeron xestos para as cinco princesas saíren. Todas as cinco saíron e seguiron un corredor entre flores, ao cabo do cual, dentro dun xardín real, se atopaba, nunha tarimba, un príncipe. Este, polo menos, era formoso e non comía os mucos.

Un personaxe da corte, talvez o visir, dixo ás cinco princesas:

― E agora, princesas, colocádevos en fila, a ollardes para o príncipe e que el escolla unha de vós coma futura esposa.

― Alto aí! ―berrou a Agnes.

Todos os ollos se espetaron nela.

― Eu non vin aquí para que me escollan como quen escolle unha mascota.

Todos ficaron de boca aberta. E antes de calquer un reaxir, recolleu as saias e voltou para a carroza. Montou nela lixeira e dixo:

― Co meu pai outra vez.

BUIIIIIMP! E a carroza voltou ser de moedas, sen cabalos a puxar dela, fixa no aeroporto. A Agnes deceu rapidamente e correu para o banco onde sentara o pai.

Mas o pai non estaba.

Ollou para os paineis dos voos e viu con horror que o avión que ían tomar xa decolara. Mas o pior era que o pai se esquecera dela!! Como podía ser tan desconsiderado! Como podía esquecer a súa propia filla no aeroporto?

Agnes estaba totalmente anoxada. Daría unha lición ao pai. Sabía que cabo dun mes voltaría por aquel aeroporto, porque aquela era unha viaxe que repetía todos os meses. 

Portanto, voltou para a carroza, mas antes de entrar de todo, dixo:

― E agora, non me leves onde che pete a ti. Lévame a algún lugar onde as princesas sexan guerreiras e teňan que salvar os príncipes.

Despois, introduciu a derradeira moeda e axiňa soou un BUIIIIMP!




© Ilustración: Yaga
© Texto: Frantz Ferentz

sexta-feira, janeiro 03, 2025

A PRINCESA ANORÉXICA

 

No reino de Calcilandia gobernaba un rei, Zapatario XXIX/V, ou sexa 29 e medio, da dinastía dos Zapatarios, todos grandes monarcas de Calcilandia.

Aquel era un reino poderoso, con grandes cabaleiros, grandes guerreiros, grandes estrategas para a guerra, que era temido no resto do continente.

Cando se pronunciaba o nome de Calcilandia, toda a xente ollaba para o ceo, como se temesen que un zapato xigante lles caese enriba. Causaba verdadeiro terror aquel país co exército máis poderoso do continente.

Mais había varios anos que o exército de Calcilandia non saía atacar os veciňos. Non. Na cabeza do rei Zapatario XXIX/V había algo que o preocupaba moito e que o mantiňa ocupado; por iso, non pensaba en invasións, nin guerras, nin ataques sorpresa. 

Por que, logo? Ben, a resposta estaba na princesa Nora. E que se pasaba con ela, estaredes a vos preguntar. Pois tiňa anorexia. A Nora padecía esta terríbel doenza. Con todo, no inicio ninguén sabía de que se trataba. Moitos no palacio pensaban que se trataba da malcrianza da filla, que era unha consentida e gustaba de chamar a atención.

Por iso, obrigábana a comer, mais a reacción dela era que vomitaba, vomitaba todo canto lle obrigaban a engulir.

Coitada. E despois choíase no seu cuarto e ficaba alí, deitada na cama, a chorar e chorar. 

O rei Zapatario, aínda que fose un guerreiro, non aturaba ver a súa filla chorar daquela maneira. El receaba que a princesa tivese algo peor que a má crianza.

Daquela deu por pasar polo reino de Calcilandia un dentista. Acontece que, nos tempos antigos, os dentistas eran moi sabios e sabían facer moitas cousas. Para alén de arrancar dentes, podían receitar e vender olio de bacallau, facer de barbeiros e até colocar ferraduras aos cabalos. E como viaxaban por todo o mundo e vían moitas cousas, algo sabían de doenzas.

Aproveitando que estaba no palacio para arrancar moas aos nobres e cortesáns, soubo da historia da princesa Nora. Ao cabo, dixo ao primeiro ministro Chincalvo, que estaba á súa mercé coa bocaza aberta sen poder falar:

— A princesa Nora padece anorexia.

—  Aoeía? —tentou repetir o primeiro ministro, mais non había xeito con todo o que tiňa boca.

Por iso, levaron o dentista á presenza do rei para que explicase:

— A vosa filla ten anorexia, maxestade.

— E iso que é? 

— Unha doenza — e explicou en que consistía.

— E sabes sandala? — preguntou o monarca.

— Non, maxestade. Eu só sei arrancar moas e colocar ferraduras, mais nada diso dá para curar a vosa filla.

O rei Zapatario ficou a pensar. Despois reuniu o consello do reino para que lle axudasen a procurar unha solución ao problema da anorexia da princesa Nora.

Así, o monarca expuxo o problema da filla aos seus fieis conselleiros reais, aos cales, ademais, pagaba unha manchea de diňeiro.

Durante uns instantes, comentaron entre si aquel serio problema que afectaba todo o reino. 

De repente, un conselleiro ergueu a man e pediu a palabra. Era o conselleiro Bichitrapo, un tipo de barbas brancas moi longas, que case nunca saía da biblioteca, estricou a barba mentres dicía:

— Eu penso que a solución é moi fácil, maxestade. Se á vosa filla lle quitades as letras N, O e R do nome, a palabra ANOREXIA ficaría como AEXIA. A propia doenza desaparecería.

O comentario, é preciso dicilo, fixo rir ao resto dos conselleiros, e un deles retrucou:

— Se quitan esas tres letras ao nome da princesa, vai chamarse só A, coitada.

Novamente houbo un ataque de risos.

A seguir, o conselleiro Raborrato, que se tiňa a si propio polo ser máis sabio do reino, aínda que certamente non o era, afirmou:

— Todo o que se pasa coa princesa é unha cuestión de dieta —e detívose e deu unha trabada a unha sánduche de varios niveis con queixo mol, marmelo, doce de abobra, cereixas bravas e unha capa de requeixón, para a seguir adicionar—. A crianza só ten que comer picante, é moi san para o seu aparato dixestivo, non vomitará máis nada. Dádelle pasteis picantes, leite picante, marmelada picante, auga picante...

A cara de noxo que puxeron todos os conselleiros na mesa foi para tirar unha foto, mais daquela aínda non inventaran as máquinas fotográficas, mágoa, porque vos era todo un espectáculo. Evidentemente, a proposta foi rexeitada, porque até soaba cruel.

Finalmente, a conselleira Bisvoz, que case ningún dos conselleiros sabía que era unha muller porque sempre vestía unha carapucha e falaba entre susurros, tanto que sempre había un servente ao seu lado que reproducía en voz alta o que quería dicir:

— Bssss, bssss, bssss e bssss —dixo Bisvoz.

E o servente ao seu lado dixo:

— Como se trata dun problema de alimentación, o mellor é facer un concurso gastronómico. Gaňará quen conquistar o estómago da princesa.

A maioría dos conselleiros protestou, mais ao rei Zapatario pareceu unha idea espléndida, por tal mandou que redixisen unha orde, a cal dicía:




Por orde da súa maxestade, o rei Zapatario XXIX/V, faise saber que:


Fican convocados todos os cociňeiros e pasteleiros do reino para o concurso gaňa o estómago da princesa Nora.

Quen o conseguir, levará un saco de moedas de ouro e unha maqueta do castelo real para construír en 3D, xunto cun dragón de brinquedo que cuspe faíscas e serve tamén para prender as cociňas de leňa.

O concurso terá lugar a vindeira quinta-feira no patio do castelo real. Os participantes han de levar os seus propios trebellos, ben como todo o necesario para cociňar, porque na corte real non se lles emprestará nada.

Asinado:


Chincalvo, 

Primeiro Ministro de Calcilandia


Así as cousas, na corte prepararon todo para o grande concurso culinario, onde todos os candidatos de Calcilandia e dos reinos en derredor acudirían para gaňar o saboroso premio.

E só había un membro do xuri, a propia princesa, que foi obrigada polo seu pai a catar absolutamente todo canto lle puxesen diante. Ela estaba horrorizada coa idea de comer todo canto lle traían, e como estaba cada vez máis inquieta, era certo que ía vomitar así lle desen a experimentar calquera bocado, mais non ousaba oporse aos desexos do seu pai.

E así, tivo que probar unhas costelas de porco con sabor a melón, asas de voitre con hortelá, linguas de lagarto con mollo de baba de elefante... Eran moitos pratos, todos estraňos e horríbeis. Se queredes, déixovos aquí un espazo para vós mesmos colocardes pratos que pensades que a coitada da Nora tivo que experimentar:


  • Prato:

  • Prato:

  • Prato:

  • Prato:


Escribide a vontade.

En fin, por desgraza para a cativa, despois de cada cata, tiňa que se virar e vomitar nun caldeiro que deixara escondido embaixo da mesa. Víňalle o desexo de non comer nunca máis na súa vida. 

Até que chegou alguén e non lle trouxo un prato de comida, mais unha flor branca de pétalas longas.

— Non pretenderás que coma unha flor? —preguntou a princesa coa man na boca para impedir que lle metesen máis nada.

— Non, é unha flor para ser cheirada, non comida.

Quen así falaba non era ningún cociňeiro ou cociňeira daqueles que apareceran convocados polo rei, mais unha moza vestida moi humildemente, con tranzas ao redor da cabeza e un enorme sorriso.

— Ti non es unha cociňeira ou unha pasteleira —preguntou a princesa.

— Non. Eu non sei nin fritir un ovo estrelado. Mais creo que sei como che axudar.

Nora sorriu tamén, despois de moito tempo. Na verdade, aquela flor desprendia un recendo delicioso, que, cando era aspirada, entraba ben dentro, para alén dos pulmóns, talvez até alcanzase a alma.

— Esta flor é xasmín. Disque é a flor que mellor recende.



A princesa ficou a ollar para aquela flor. Si, o seu cheiro facíalle sentir moito mellor.

— Entón, es xardineira? —quixo saber a Nora.

— Na verdade, non. Gusto moito de plantas, mais non son...

Toda a conversa era observada polo rei, que non ousaba intervir. Había moito tempo que non vía súa filla sorrir nin recuperar algo de cor nas meixelas. Entón fixo un xesto ao primeiro ministro para que evacuase o patio do castelo e deixase a filla falar tranquilamente con aquela estraňa.

— E como te chamas? —preguntou a princesa.

— Leo.

— Leo de Leonora?

— Si, mais todos me chaman Leo —respondeu a moza.

— É que eu tamén me chamo Leonora, mais todos me chaman Nora.

Aquela estraňa coincidencia arrancou risas nas dúas mozas.

— Olla —dixo a Leo—. Quero facerche un presente. Aquí teňo unha planta que trouxo no inicio a miňa avoa da África.

A Leo colocou un fardel enriba da mesa e quitou del un pote cunha planta con flores alongadas de cor alaranxada. Era unha estrelicia.


— Que simpática. As flores parecen a cabeza dun páxaro, con cristas. E tamén cheira?

— Non, mais produce un néctar delicioso.

Así, as dúas mozas ficaran soas no patio do castelo e saíron para a rúa, fóra do recinto real. A Leo sabía moitas cousas de plantas e de abrazos. Deu uns abrazos a Nora que a deixaron coma nova. Nunca a abrazaran así e sentiuse mellor ca nunca, porque non sabía que os abrazos poden chegar a ser a mellor menciňa para os problemas da alma. Aquela nova amiga era sen dúbida máxica...

— Coňeces o mercado da vila? —preguntou a Leo.

— Non, pasei moito tempo choída a chorar —respondeu a Nora.

Aquela resposta deixou un tanto pasmada a princesa, mais non quixo preguntar máis. Colocou a carapucha na cabeza para non ser recoňecida fóra do castelo. E foi así que, no medio dunha conversa entre os postos do mercado ao ar libre da cidade, tres gardas se plantaron diante das dúas mozas, mentres outros dous lles cortaban o paso por detrás.

— Atrapámoste, bruxa! —berrou o que parecía ser o capitán do grupo—. De aquí vas directa ao calabouzo e logo á fogueira, a amburares coma un facho.

Os outros gardas riron a graza e ameazaron a moza coas súas espadas. Non había escapatoria. Leo sentiu un medo horríbel, sabía que aqueles homes cumprirían a súa ameaza. Apertou a man da Nora nun acto reflexo.

Mais aqueles cinco gardas non sabían quen tiňan diante dos seus ollos. A princesa retirou a carapucha.

O capitán da garda fincou un xeonllo na terra, inclinou a cabeza e dixo:

— Alteza...

Os outros gardas imitaron o seu capitán.

— Por que queredes arrestar esta muller? —preguntou a Nora.

— É unha bruxa, Alteza. E faríades ben de vos afastar dela —respondeu o capitán.

A Nora ollou para a súa amiga e preguntoulle:

— De veras es unha bruxa?

— Chámanme bruxa porque entendo de plantas, porque sei como usalas para facer o ben, para sandar. Ti propia xa o viches.

A princesa fora testemuňa diso. Entón ordenou ao capitán dos gardas:

— Retirádevos de aquí e deixade esta moza tranquila. Agora é a miňa asistente persoal.

O capitán obedeceu sen gurgutar e levou os outros gardas con el, que se perderon no mercado entre a moitedume por tras do cu dunha vaca.

— Ten vantaxes ser princesa —comentou a Nora moi leda.

— Obrigada por me axudares —díxolle a Leo.

— Xa non tes nada para temer. Mais, es na verdade unha bruxa?

A Leo só respondeu cun riso sonoro, mentres ambas as mozas camiňaban da man e se perdían polos labirintos de rúas da cidade.


© Frantz Ferentz, 2025